Por Ruth Thayanne Fernandes
Com espaços diversos e dinâmicos, nos dias 25 e 26 de novembro, pela manhã, o evento teve como casa o auditório do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal de Sergipe (DCOS/UFS), com os olhos atentos e câmeras à postos, a Mostra realizou a Oficina de Distribuição: Estratégias e Planos de Negócios para o Cinema Sergipano, ministrada pela pesquisadora Paula Gomes.
A produtora, distribuidora, fundadora e diretora geral da Olhar Filmes, Paula Gomes, nos conta e estimula a traçar caminhos para o audiovisual sergipano, noções sobre a incidência no mercado, a lógica de produção, as possibilidades de distribuição e recursos foram alguns dos temas abordados na Oficina. “Acho bem importante que a Mostra vá além de só exibir filmes e que a gente consiga adentrar sobre os ofícios e trazer ferramentas mesmo para que as mulheres que estão por trás das câmeras possam continuar fazendo seus filmes e, inclusive, melhorando e aprimorando essa atuação”, enfatiza.
Dialogando sobre produção, realização e distribuição, os encontros se dedicaram a pensar os caminhos que os filmes sergipanos podem traçar ao serem finalizados, o alcance de público, bem como aumento de exibições nas telas, entendendo o cenário nacional do audiovisual e os instrumentos que o cinema tem enquanto indústria para que isso aconteça.
Movida por exposições, trocas e encantos, a Mostra firmou sua programação ao longo da semana, o quarto dia do evento iniciou com a primeira parte da Oficina de Operação, com a cinegrafista, diretora de fotografia e assistente de câmera, Gabi Morbeck. Entre alongamentos e apresentações das participantes, o encontro foi produtivo e dinâmico; se dedicou a um momento expositivo, de contato inicial com os equipamentos e um aprofundamento teórico, de pensar as máquinas, o lugar que o corpo ocupa ao operar o equipamento e o equilíbrio que a atividade cinegrafista implica, mente e corpo.
Para Gabi, o percurso é movido pela curiosidade constante, mas, também, pela consciência de que ser mulher em um campo tão masculinizado exige preparo e afirmação diária da capacidade de ocupar esses espaços. “A desigualdade é real, e por isso a gente precisa construir presença — estudando, trabalhando, compartilhando. A existência da Mostra, e especialmente a proposta de oferecer uma oficina de Operação de Câmera dentro dela, tem um papel essencial num cenário de desigualdade de gênero tão evidente no audiovisual. As pesquisas não deixam dúvidas: precisamos de mais mulheres nas áreas técnicas. Então, ser convidada para ministrar essa oficina despertou em mim um sentimento de responsabilidade alinhado com aquilo em que acredito e com o tipo de mudança que desejo provocar simplesmente ao existir e ocupar esse setor”, ressalta.
Entre takes e registros, os encontros uniram o contato com as câmeras, as noções corporais que são necessárias para controlar a si e o maquinário, bem como o aprofundamento das participantes com o equipamento, com a realização das imagens e o fazer cinema.
A 6ª Mostra Elas por Trás das Câmeras é realizada com recursos da Lei Complementar Federal nº 195/2022 – Lei Paulo Gustavo, por meio do edital Nº 06/2023 – TARCÍSIO DUARTE, executado pela Fundação de Cultura e Arte Aperipê de Sergipe – FUNCAP/SE, com apoio do curso de Cinema e Audiovisual da UFS, da Igluloc, do Museu da Gente Sergipana e do Instituto Banese.