Por Ruth Thayanne Fernandes
As telas estão brilhando! Entre os dias 24 a 28 de novembro de 2025, a cena cultural e universitária de Sergipe protagonizou a VI Mostra Elas Por Trás das Câmeras! Realizada na Universidade Federal de Sergipe e no Museu da Gente Sergipana, a Mostra trouxe como perspectiva vetora ser uma mostra de curtas realizados por mulheres e pessoas dissidentes de gênero e contará com mesas de debate, oficinas de produção, roda de conversa e espaços de formação para além das exibições dos filmes.
Redescobrir e Reinventar. A Mostra traz nessas palavras as ideias fundantes de sua existência, pensar o cinema, a produção de mulheres e o lugar da dissidência de gênero na construção das imagens. Mediada pela diretora de arte Mika Roan, com participação da montadora e pesquisadora audiovisual sergipana Lu Silva, juntamente com a roteirista Maira Cristina e participação da diretora e roteirista, Hewelin Fernandes e, por fim, a diretora da Olhar Filmes, Paula Gomes; a Mostra teve sua mesa de abertura. Denominada “O trabalho de mulheres no cinema e no audiovisual: do roteiro à distribuição” , a mesa reuniu pesquisadoras e realizadoras para pensar, discutir e fabular a presença feminina no cinema, bem como suas condições de existência no mercado audiovisual.
Para Mika Roan, também conhecida como Leocádia, o nome da sua drag – o qual ela utiliza como nome artístico enquanto pesquisadora e diretora de arte – trabalhar com cinema sendo uma pessoa dissidente de gênero é de uma complexidade, pois a indústria do cinematográfica e suas lógicas de produção raramente compreende a multiplicidade desses corpos e, consequentemente, seus espaços e oportunidades de trabalho e, por isso, a importância de incluir essas pessoas nos debates sobre cinema, discussões feministas e mulheridade. “Me senti muito honrada pelo convite, acho que é muito importante introduzir mulheres trans, travestis, não binários e as pessoas dissidentes de gênero nas discussões feministas e mulheres em geral, principalmente no cinema que é uma indústria muito machista, xenofóbica, preconceituosa, aqui dentro do Brasil mesmo toda a questão do Eixo Sudeste… Então, diante disso, fiquei muito honrada e estive pesquisando e me preparando para fazer uma mesa em que eu gostasse de ouvir outras mulheres que já batalharam e trilharam esse caminho”, destaca. Pensar as diferentes existências dentro do cinema e do fazer cinematográfico é urgente e tem sido o mover da Mostra Elas Por Trás das Telas, refletir, discutir e imaginar futuros onde as imagens feitas por essas pessoas são vistas e reconhecidas e alcancem novos mundos.
Finalizada com um coquetel de celebração, a mesa foi a abertura da Mostra recheada de atividades que se seguiram durante a semana, na Universidade Federal de Sergipe e no Museu da Gente Sergipana.
A 6ª Mostra Elas por Trás das Câmeras é realizada com recursos da Lei Complementar Federal nº 195/2022 – Lei Paulo Gustavo, por meio do edital Nº 06/2023 – TARCÍSIO DUARTE, executado pela Fundação de Cultura e Arte Aperipê de Sergipe – FUNCAP/SE, com apoio do curso de Cinema e Audiovisual da UFS, da Igluloc, do Museu da Gente Sergipana e do Instituto Banese.